Estéreis e férteis: bem-aventuradas de Deus

Bem-aventuradas as estéreis e os ventres que não geraram, assim como as não estéreis e os ventres que geraram.


“Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, que nunca deram à luz e que nunca amamentaram!” (Lc 23:29‬).


Ao fazer meu devocional, abri a Bíblia em Lucas 23:14 e prossegui lendo até o versículo 31.


O versículo 29 me fez lembrar da fala de uma parente sobre a felicidade de não se terem filhos — como eu e outras mulheres presentes no momento da conversa — por causa da enormidade da preocupação, desgaste, sofrimentos, dores na alma, desassossego, e tantas outras situações que nunca mais permitem que mães vivam a vida livre dessas circunstâncias provenientes de ataques aos seus filhos.


As mães são felizes por serem mães, uma felicidade indizível, indescritível. As não-mães, que conhecem Jesus, aceitam e respeitam a vontade de Deus sobre suas vidas; as que não conhecem, lamentam a falta dessa felicidade — eu tenho as duas experiências. Graças a Deus, o Senhor me trouxe à primeira.


Na foto “O ventre da mulher estéril” consta o versículo que prova a soberania de Deus sobre a sua criação de modo que só acontece o que Deus sabe ser o melhor para suas criaturas mediante sua onisciência e presciência. Deus sabe de todas as coisas que nós não conhecemos e sequer imaginamos o porquê, mas ele nos priva de um mal que nos assolaria, porque quer o nosso bem para a sua glória.

Como “para a sua glória”? Pela oportunidade de cada mulher abençoada poder testemunhar do seu poder a todos de seu convívio através da permissão divina para a realização de uma bênção, seja a de realizar o sonho da maternidade ou de não o realizar.


Devido à desgraça universal que acomete todas as épocas, a esterelidade — algo desprezado pelo mundo bíblico nos tempos de Jesus (Mc 1:25) — pode ser considerada uma circunstância feliz visto que uma mãe que vê seu filho em sofrimento experimenta na própria pele um sofrimento pior; É nesse sentido que para uma mãe que ama o seu filho o pensamento natural é de que teria sido melhor se o filho não tivesse nascido, seria melhor se fosse estéril, de modo que não assistiria o sofrimento do filho.

Jesus se coloca no lugar das mães sofredoras pelos males que acometem seus filhos amados. Assim, “felizes as estéreis” não é uma afronta às mulheres não estéreis, mas uma referência ao desejo de que as injustiças do mundo não existissem, de que a tendência do mundo se direcionasse a melhores condições de vida de modo que a paz pudesse predominar e perdurar.


E assim, os filhos que somos todos nós não sofreríamos as desgraças de um mundo mau desprovido da graça de Deus, mas viveríamos esperanças em detrimento da desesperança, coisas boas poderíamos esperar sem desesperar se toda a humanidade se submetesse às instruções de Deus, aos seus diversos conselhos existentes no Livro Sagrado, a Bíblia, que a grande maioria da humanidade despreza.

Todavia, em ambas as situações, o mais importante é a resiliência em face das intempéries, a capacidade natural para se recuperar de situações adversas, de superar casos problemáticos, de se adaptar às mudanças dolorosas ou aos infortúnios inevitáveis, manifestar estoicidade através de uma tranquilidade imperturbável, aceitar pacificamente uma determinada situação mediante uma reação positiva face às adversidades, tudo se resumindo em uma resignação diante da perfeita vontade de Deus para a vida de cada pessoa; no caso específico desse contexto, de cada mulher estéril ou não estéril.


A foto do meu ventre estéril quando queria engravidar, mas não aconteceria assim. A paz na minha alma foi o que recebi de Deus e diante da sua vontade revelada aprendi o essencial para minha vida pessoal no tocante a compreender o que realmente é uma bênção de Deus, ou seja, não necessariamente aquilo que queremos, mas aquilo que Deus sabe que é o melhor para nós, e agradeci a Deus por tudo isso: a dupla bênção de não ter o que antes desejava, e de ter o que me era melhor.

Como é feliz ser mãe e depois avó e depois bisavó e depois trisavó e depois tataravó, e como é bom também não o ser, pelo abençoado fato de estarem ambas debaixo da vontade soberana de Deus!



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