PERSISTA, NÃO PARE, CONTINUE ORANDO!

Deixando de orar, por quê?

"Porque me disseram que não devemos orar a Deus várias vezes pelo mesmo pedido, pois orando pela primeira vez já é o suficiente porque Deus já ouviu."

Orar é conversar com Deus, uma conversa que sai do coração, uma conversa pura e verdadeira, sem artifícios como memorização e recitações mântricas segundo a doutrina de algumas religiões.

Andam ensinando isso aos cristãos, pautando-se no seguinte versículo: "E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos" (Mt 6:7).

Usar vãs repetições não é o mesmo que perseverar na oração. As pessoas andam confundindo as palavras de Jesus e por isso andam ensinando coisas erradas aos outros. Esse erro pode ser perigoso a ponto de levar um crente recém-convertido a não orar mais visto que já orou a Deus pelo seu pedido e não precisa orar mais, como se isso fosse incomodar Deus ou se demosntrasse falta de fé por não saber esperar e ficar insistindo.

Ouvi de uma criança uma resposta que deu à sua avó quando lhe disse que iriam orar: "Ah, pra que orar? O pastor já disse que basta pedir a Deus uma única vez!" Esse ensinamento mal orientado tem desviado os crentes, tanto jovens como adultos, porém todos imaturos na fé, a deixarem de orar a Deus. E quando surge a necessidade por algo que ainda não se concretizou? Como fica a questão da ansiedade? Como tratar?

Esquecem, portanto, que um pedido feito hoje a Deus, quando ainda não realizado, pode gerar uma anisedade, e como curar a anisedade se não for orando a Deus? E como não dizer a Deus o motivo da ansiedade para ficar curado dela? Como, então, deixar de pedir novamente se esse desejo está intrínseco à oração?

Não há nada de errado em orar mais de uma vez pelo mesmo desejo:

"Daniel, que é dos transportados de Judá, não tem feito caso de ti, ó rei, nem do edito que assinaste; antes, três vezes por dia faz a sua oração" (Dn 6:13).

"Acerca do qual três vezes orei ao Senhor" (2 Co 12:8).

"E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras" (Mt 26:44).

A parábola do juiz iníquo: E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer, dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava homem algum. Havia também naquela mesma cidade uma certa viúva e ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. E, por algum tempo, não quis; mas, depois, disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte e me importune muito. E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz. E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?" (Lc 18:1-7).

O próprio Senhor Jesus nos ensinou a "orarmos sempre e nunca esmorecer" (Lucas 18:1). Nossa orações, no entanto, não devem ser como rezas repetitivas; reza não é oração. É nesse sentido que Jesus nos adverte - contra práticas idólatras como os profetas de Baal com suas orações prolongadas e repetitivas em 1 Reis 18:25-39, e a não ter com Deus um relacionamento robotizado, mecânico, mas que tenhamos com Deus um relacionamento de coração, espontâneo, que o honra com palavras de fé e esperança, de convicção mesmo que os nossos desejos ainda não tenham se realizado e ainda que nunca se realizem, mas que pela fé permanecemos firmes na oração sem desfalecer por causa das circunstâncias, pois quem somos nós para sabermos se Deus vai ou não atender a nossa oração? Desde que não temos essa resposta, continuemos orando até que se cumpra o nosso desejo ou até que Deus nos revele que essa não é a sua vontade, mas que ele tem o melhor para nós, independente do nosso desejo. Deus nunca nos deixa em falta. Eis a fé que agrada a Deus.

Devemos ter a consciência de que Deus pode todas as coisas, mas nem sempre ele quer todas as coisas. Eu sei que Deus pode fazer isto para mim! Mas Deus quer fazer isto para mim? Por isso, devemos orar, sempre, pois não sabemos a vontade de Deus.

Muitas religiões ensinam a rezar repetidamente as mesmas palavras como mantras. Deus não nos ensina isso, nem nos ensina a ficarmos repetindo palavras ditas por homens como forma de reforçar a fé. Não precisamos disso. Precisamos tão somente da fé que ora sem cessar, como está escrito: "Orai sem cessar" (1 Ts 5:17).

Só precisamos ter discrenimento espiritual para não nos enredarmos por vozes estranhas que não correspondem à verdade de Deus. Precisamos estar atentos à verdade de Deus e jamais às palavras de homens que não possuem a capacidade exegética apropriada e necessária para ensinarem o povo de Deus.

Até mesmo os servos fiéis de Deus podem ser confundidos por esse tipo de ensinamento, acreditar que é verdade e passar a ensiná-lo a outros sem saber que estão condenando os outros fiéis a um afastamento do Deus vivo que sempre está pronto a ouvir os seus filhos e prover as suas necessidades, sejam de acordo com a vontade humana ou não, mas sempre de acordo com a vontade de Deus.

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